Os impérios Egípcios.
Posted by Lucas Haigert Oliveira | Posted in história | Posted on 03:14
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Datação
Tratando-se de Império Egípcio, é complicado dar datas precisas pois nada é comprovado, todas as datações são aproximadas e divergem de autor para autor. Portanto, usarei a datação de Mario Curtis Giordani. Segundo o mesmo, o Antigo Império Egípcio vai de 2778 a 2423 Antes da Era Cristã (a.e.c. e) o período intermediário entre o Antigo e o Médio Império vai de 2423 a 2065 a.e.c.
Características
No Antigo Império, o Egito se caracteriza pelas preocupações internas, ou seja, é muito mais necessário consolidar a unificação do alto e do baixo Egito e solidificar um governo central na figura do Faraó, além de ter que se defender de povos estranhos, do que preocupar-se com expansão territorial.
O Antigo Império vai da 3ª à 5ª dinastia, e podemos citar também um período intermediário entre o antigo e o médio império, que vai da 6ª à 10ª dinastia.
Entre a 3ª e a 5ª dinastias, a preocupação central é solidificar a monarquia absoluta, ou seja, a centralização do poder.
No período entre a 5ª e a 6ª dinastia, já se percebe a influência dos sacerdotes e dos grandes funcionários, evidenciando o fim da autocracia primitiva e o início de um regime oligárquico e feudal, o que mostra um avanço tecnológico e agrícola, já que o regime feudal é dependente da agricultura. Também podemos citar nesse período a consolidação da escrita, inclusive na pessoa de funcionários do Faraó que tinham o conhecimento da mesma.
Na 3ª dinastia temos um personagem importante: o Faraó Djoser. Seu reinado de sucesso se deve também a seu conselheiro e ministro Imhotep, conhecido por ser um grande sábio, que possuía grande conhecimento tanto na área médica como na área de construção de monumentos e nas letras. Também vale ressaltar que nessa mesma dinastia, a capital foi transferida para Mênfis.
Na 4ª dinastia o fato mais importante foi a construção das 3 maiores pirâmides: Quéops, Quéfrem e Miquerinos. No fim do Antigo Império notamos o fortalecimento dos nomarcas, governadores dos nomos, que conseguiram transformar seu cargo temporário em cargo hereditário, o que nos mostra uma espécie de feudalismo cada vez mais forte.
Desse feudalismo resulta uma grave crise econômica, já que a economia feudal é fechada e o comércio perde força por isso, a existência de um exército em cada feudo faz com que o poder central se enfraqueça sem defesa, pois com exércitos em feudos, a defesa do Império é fraca, as fronteiras ficam suscetíveis a invasões e a descentralização do poder é um risco natural que surge.
Dessa crise provém o período intermediário entre o Antigo e o Médio Império, assim como haverá outra crise nas transições entre o Médio e o Novo Império.
Utilisarei a datação de Mario Curtis Giordani, novamente como base. Segundo o mesmo, o Médio Império Egípcio vai de 2065 a 1785 a.e.c. e o período intermediário entre o Médio e o Novo Império vai de 1785 a 1580 a.e.c.
Características
No Médio Império, o Egito se caracteriza pelas preocupações externas, ou seja, pela tentativa de expansão, o que resultou em falta de cuidado com a defesa do Império e acabou cominando com a invasão dos hicsos que dominaram o Egito por mais ou menos 180 anos.
O Médio Império vai da 11ª à 12ª dinastia e o período intermediário entre o médio e o novo império vai da 13ª à 17ª dinastia.
O Médio Império se inicia com os reis tebanos tentando centralizar o poder acabando com a hereditariedade dos nomarcas e criando uma dependência dos funcionários pelo soberano. A nobreza feudal se dissolveu e foi trocada por uma nobreza administrativa, onde os faraós escolhiam o primeiro ministro.
A 12ª dinastia deixou como legado monumentais edifícios, o início do culto a Amon (visto como rei dos deuses egípcios e criador da vida) e também apresentou a mudança da capital de Tebas para uma região entre Mênfis e Faium.
Os principais faraós dessa dinastia foram Amenemhat I e Sesóstris III. Também vemos na 12ª dinastia a valorização do oásis de Faium, a criação de um exército permanente e a supressão da independência da nobreza provinciana.
No final do Médio Império e no início do período intermediário entre o Médio e o Novo Império, o Egito cai sob a dominação dos hicsos.
Esse povo venceu facilmente os egípcios pelo número de combatentes e pela superioridade de seu armamento, já que os mesmos possuíam uma tecnologia superior, utilizavam armas de bronze e ferro e carros de guerra puxados por cavalos, animal até então desconhecido pelos Egípcios.
A expulsão dos hicsos marca o fim do período intermediário e o início do Novo Império.
Datação
Seguindo o mesmo processo de datação, usarei a datação de Mario Curtis Giordani. Segundo o mesmo, o Novo Império Egípcio vai de 1580 a 1090 a.e.c.
Características
O Novo Império se inicia com a expulsão dos hicsos. Essa fase do Egito Antigo vai da 17ª à 20ª dinastia e se caracteriza por retomadas após a expulsão do povo invasor, como a retomada de obras públicas, militar,do comércio e da construção de templos e palácios.
Na 18ª dinastia o Egito cria um império asiático para prevenir invasões e enriquecer o país, já que mais território significa mais tributos.
O faraó mais importante é Tutmés III, que reinou por 54 anos e levou o Egito a um esplendor nunca antes atingido.
Nessa dinastia também temos o famoso faraó Amenófis IV, que dissolveu a religião politeísta e criou um monoteísmo centralizado em Aton, o disco solar.
Amenófis se intitulou Aquenaton (filho do sol) e se dizia o filho do deus maior na terra, digno de todo o poder. Sua estratégia era terminar com o politeísmo, pois o mesmo dividia o país e instituindo um monoteísmo, cria-se uma união maior entre o povo, sem divergências religiosas, e a unificação e centralização do poder nas mãos do Faraó é muito maior. Ele mudou a capital para Akhet-aton (horizonte do disco solar).
Nessa dinastia também temos o famoso faraó Tutancamon, que teve seu túmulo encontrado intacto. Em seu reinado o monoteísmo decai, a capital volta para Tebas e o politeísmo volta.
Na 19ª dinastia, a maioria dos soberanos preocupa-se com a política externa, mas essa política não é de ataque e sim de defesa, com a preocupação de manter o território conquistado pelos Tutmés na dinastia anterior.
Os maiores nomes são os faraós Séti I e Ramsés II, famoso por sua grande ambição e personalidade forte. É datado de seu reinado o primeiro vestígio arqueológico com o nome de Israel.
A 20ª dinastia tem o último grande rei do Novo Império: Ramsés III. Em seu reinado, grandes conquistas militares foram alcançadas como campanhas vitoriosas na Líbia e expulsão de invasores indo-europeus. Com o fim de seu reinado o Egito entra em franca decadência, o que acaba resultando num período chamado Baixa Época que compreende desde a 21ª até a 31ª dinastia, que termina em 332 a.e.c. com a dominação. E assim termina a era dos impérios egípcios.


